sexta-feira, 20 de novembro de 2015

EXPOSTOS AO SOFRIMENTO

"Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." (João 16:33)

Quando fui tirar minha carteira de trabalho junto com uma tia na cidade de Volta Redonda – RJ, passamos por um homem sozinho pregando publicamente sobre Jesus. Logo que passamos por ele, outro homem nos alcançou e declarou algo do tipo “se realmente fosse tão bom assim, crentes não sofriam, não haveria tanta doença no mundo. Não acredito em nada disso.”
Tentei dizer alguma coisa a respeito do assunto, mas minha tia logo concordou com ele, que seguiu apressadamente o seu caminho.
Desde então percebi como as pessoas ainda não conseguem associar a bondade e a misericórdia de Deus com o sofrimento existente no mundo e o quanto ainda precisam entender que o amor relatado em João 3:16 é real!
Vamos organizar o pensamento em tópicos para facilitar a compreensão: 

· Deus criou o mal?
Deus não criou o mal, ele criou seres pensantes. No princípio não havia choro, nem dor... A bíblia relata no livro de gênesis que tudo era bom!
Deus é amor e sua essência é amor. Ele quer servos sinceros que O amem também. Não quer que a gente sirva por “obrigação” ou medo da morte. Nosso amor por ele deve ser real, assim como o dEle por nós é real também.
Abra sua bíblia em 1Coríntios 13 e medite nas características do amor. As mais interessantes pra se usar nesse caso são:
- O amor é paciente;
- Não procura seus interesses;
- Não se ressente do mal;
- Tudo sofre;
- Tudo espera;
- Tudo suporta.
Se Deus não tivesse a paciência de esperar pelo nosso arrependimento e amor ou se tivesse ressentimento do mal que praticamos, ou se criasse “fantoches” prontos para serem manipulados para o bem, correndo atrás, assim, dos seus próprios interesses, Ele não seria um Deus de amor. Aí sim ele seria um Deus carrasco.

· Por que o mal existe?
O mal se originou no céu, quando Lúcifer se rebela contra Deus e tenta usurpar seu trono.
Já vimos que amor sem liberdade não faz sentido algum e Lúcifer decidiu não mais obedecer a Deus.

“Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.
Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti.”
(Ezequiel 28:14 e 15)

Perceba que Deus não só criou o homem e a natureza em perfeita harmonia, o próprio Satanás era perfeito, até que decidiu não mais viver assim.

· Por que Deus permite o mal?
Os anjos desconheciam a maldade até que Satanás começou plantar discórdia no céu. Ele blasfemava contra Deus e o acusava de ser um Deus injusto e opressor.
Se diante das acusações de Satanás, Deus o destruísse, os anjos certamente concordariam que Deus é um Deus opressor que não nos dá liberdade de escolha. Os anjos que até então estavam ao lado de Deus passariam a servi-lo por temor, e não mais por amor.
Dia após dia, com as destruições, catástrofes e misérias no mundo, é provado a todo universo que Deus é bom, e que estar ao lado dEle é a melhor escolha que anjos e homens podem fazer! (LOUVADO SEJA DEUS!).
Por isso, importa que Satanás continue solto e livre para praticar o mal até que chegue o Dia do SENHOR, e os Santos e os Anjos voltem a experimentar a harmonia e a paz que vem de Deus, e satanás seja para sempre destruído juntamente com seus demônios e os ímpios.

· A dor que nos leva a adorar
A dor é um importante mecanismo de defesa. É interessante pensar que a lepra é uma doença que tira a sensibilidade da pessoa, ou seja, tira a capacidade de sentir dor. Uma pessoa com essa doença pode se cortar profundamente e não sentir dor, trazendo sérias consequências para ela. Já uma pessoa em perfeita condição de saúde sentirá a ferida e procurará ajuda, evitando uma hemorragia grave, ou simplesmente tratando a ferida adequadamente. Jesus quando curou leprosos devolveu a dor deles.
Na vida espiritual a coisa não e diferente. Quando não sentimos dor não procuramos ajuda... Não clamamos! Às vezes nós nos esquecemos de Deus e só lembramos dEle quando nos vemos em uma situação de dor e desespero. Assim como a dor física é importante para garantir a nossa sobrevivência aqui, a dor emocional (e a física também) nos ajuda a lembrar que há alguém oferecendo para nós mais do que esse mundo corrompido. Há alguém que espera por nós todos os dias, que renova a cada manhã Sua misericórdia por nós!

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mateus 5:4)

· O próprio Deus sofreu (e sofre) por nós
Como lemos em 1Coríntios 13, uma das características do amor é sofrer. Se Deus é amor, tenha certeza que Ele sofre cada vez que se depara com o mal aqui na Terra. Deus não nos observa apenas, Ele habita em nós e sofre junto com a gente.
O próprio Verbo encarnado veio a Terra apenas para sofrer, e chegou a se sentir desamparado por Deus. Transpirou sangue, foi açoitado, carregou uma cruz, usou uma coroa de espinhos que ao ser cravada no couro cabeludo, causou dores tão fortes, que nem mesmo morfina era capaz de amenizar. Imagina a dificuldade de respirar pregado na cruz, e a dor de ter pregos cravados nas mãos... Imagina sentir sede e receber vinagre para beber.
Muitas vezes não paramos para pensar em como deve ter sido o sofrimento de Jesus, mas ele sofreu! E Ele não merecia sofrer. Era o Filho de Deus, santo, perfeito, imaculado! Se nosso Senhor sofreu, por que estaríamos imunes ao sofrimento? É claro que estamos sujeitos a ele aqui!
Mas lembre-se sempre que estamos apenas peregrinando aqui. Quando formos para o lar, não seremos mais expostos à maldade e ao sofrimento! Mantenha o foco.

“E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”
(Apocalipse 21:4)



*Se quiser ler mais sobre o assunto, indico aqui o livro "O terceiro Milênio" de Alejandro Bullón (mais especificamente as páginas 21 e 22); a pregação do Juliano Son intitulada de "A dor que nos aproxima de Deus" no youtube (não lembro o canal) e o livro "Patriarcas e Profetas" de Ellen White (mais especificamente o capítulo 1). Foi o material que usei como base (e também a bíblia, claro!).

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